sexta-feira, 10 de abril de 2015

Alheia

Adjetivo emblemático para os dias de hoje!

Não sei se a efemeridade do tempo de acomete, mas vez ou outra sou tomada pelo mal estar pós moderno onde as novas configurações de espaço e tempo são completamente líquidas, solúveis. Simplesmente não aprendi sequer o "estar", quanto mais o pós moderno.

Tenho o poder de congelar o tempo a meu favor em instantes onde me sinto confortável, com relações onde me sinto estando (e sendo). Mas lá fora ele passa, e quando abro os olhos, o mundo já girou demais, desço fora do ponto.

E passo dos meus limites, até chegar onde não me sei, como não me pertencendo, alheia a mim, sendo de outros sonhos, de outras estações, de outro retrato. Quem somos eu? Quantos egos cabem aqui?

Deveras, um eu pós moderno é pouco! Sou várias onde não cabe, num espaço pequeno. Não somos, então. Apenas nos suportamos! Daí trocamos o nome, a imagem. Nos vestimos de vários em nenhum. Onde os "eu's" foram?

Só estão nos outros.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Uma ideia legal

I.dei.a sf 1. representação mental de algo concreto ou abstrato; 2. projeto, plano; 3.opinião, conceito, pensamento

Tenho uma porção delas na cabeça. E também uma máquina que produz uma a cada minuto. Uma amiga diz que isso faz de mim uma pessoa criativa; vai vendo... A maquina anda dando uma enferrujada, como se o ócio fosse uma espécie de salitro.
Já pensei em conto, crônica, artigo científico, poesia, mas nada sobre escrever coisas que não sejam sobre mim. Tudo precisa ser sobre mim e sobre meus personagens internos.

Agora, por exemplo, só porque quis colocar algum deles pra fora, fugiram todos da minha cabeça. Medrosos! Minhas ideias se acovardam de mim qual um bicho que foge da presa. Acho que é alguma espécie de timidez da parte deles. Afinal, quem gosta de ser posto pra fora? Servir de espetáculo ridículo, como nas antigas ruínas do Coliseu. Sob olhares assustados, curiosos, caçoadores. Eles insistem em não querer.

Me deixam indiferente, inerte, entediada. Preciso mendigar qualquer coisa para pensar no mínimo em algum sentimento mais ou menos. Nem isso, eles insistem em não querer. Aí parto para o silêncio. Ah solidão que me corrói por dentro! No fim das contas, sento na mesa, escrevo míseras linhas de algumas coisa e... sai esse texto.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Primeiros passos de uma 'gênia': memórias em fotografia

Desde a mais tenra infância os primeiros passos dados por qualquer indivíduo são de extrema importância para a sua formação e já indicam a composição de uma personalidade. Contudo, antes de ser reconhecido, todo o gênio pode sofrer alguns julgamentos antes de passar pelos processos de maturação proporcionado pela época das fraldas e chupetas.

Gê.nio sm 1.pessoa de extraordinária potência intelectual e/ou que possui grande domínio ou conhecimento em determinado assunto.

Einsten, por exemplo, antes de galgar a fama quando entrelaçava-se sob os lençóis do seu berço já dava sinais de que tinha potencial para ser um destaque a nível mundial. Por demorar muito de falar, sua mãe tinha até receios de que pudesse ser retardado.
 Sobre seu período de escolaridade, sua irmã escreveu: "No conjunto, Einstein, no entanto, não gostou daqueles anos de escolaridade; professores autoritários, estudantes servis, ensino livresco - nada disso lhe caía bem. Além do mais, tinha uma natural antipatia por (…) ginástica e esportes (…). Tinha tonturas e cansava-se facilmente. Sentia-se isolado e fazia poucos amigos na escola".

Como toda gênia, posso lhes assegurar que esse tipo de coisa é comum na infância de qualquer prodígio. Duvidam? Então vejam!

Foto: Priscila Braga/Arquivo Pessoal


Sim, todo gênio é curioso e isso desde cedo...


Foto: Priscila Braga/Arquivo Pessoal


... e não importa o que todos ao seu redor estejam fazendo e nem onde esteja, uma gênia simplesmente não se importa, a curiosidade é mais forte e quanto a isso, não há muito o que se discutir.

O esforço que uma gênia faz para estar em ambientes sociais variados é maior do que o que as pessoas normais fazem...


Foto: Priscila Braga/Arquivo Pessoal



e isso por causa de alguns, digamos, probleminhas socio-relacionais


Foto: Priscila Braga/Arquivo Pessoal


 que não são muito graves nem mostram-se um problema, intelectualmente falando.


Foto: Priscila Braga/Arquivo Pessoal


 Por isso a solidão às vezes (sempre) é bem-vinda nesses casos,


Foto:Priscila Braga/Arquivo Pessoal


e uma gênia faz bom uso dela, corteja bem a solidão por mais ruim que sua companhia possa ser,


Foto: Priscila Braga/Arquivo Pessoal


 dela nascem experiências, invenções, é onde entra-se em contato com suas hipóteses e com a ciência, pois toda a gênia tem contato com as mais variadas tecnologias de programação.

E por causa dessa relação de conflito com o mundo, uma gênia não tem tempo para relacionar-se com sua aparência, associando a com os padrões de beleza do mundo externo, o que nos deixa extremamente assustadas.


Foto: Priscila Braga/Arquivo Pessoal


Isso meche com a nossa forma de lidar com os estereótipos e nos impulsiona a quebrar paradigmas, não aceitando-os nem nos adequando a eles (coisa que fica pra vida toda).


Foto: Priscila Braga/Arquivo Pessoal


O desenvolvimento de habilidades acontece desde muito cedo. Alguns processos ocorrem de forma obrigatória, pois por qualquer que seja o motivo a sociedade exige isso de nós,


Foto:Priscila Braga/Arquivo Pessoal


mas a verdade é que a gente não liga pra nada disso, nós apreendemos o que nos parece virtuoso, dando sempre um passo de cada vez,


Foto: Priscila Braga/Arquivo Pessoal


e mesmo sem jeito, independente também da aparência, nós queremos revelar a ciência ao mundo, por mais  engraçado e banal que isso possa parecer para os adultos.



Porque nunca haverá mais lembrança do sábio do que do tolo; porquanto de tudo, nos dias futuros, total esquecimento haverá. E como morre o sábio, assim morre o tolo
Eclesiastes 2:16

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Vocábulos indefinidos ou subjetividade?

Eu aceito não ser boa com números, contanto que seja muito boa com letras. Não existe um parâmetro que me defina como boa ou ruim nisso, então, permaneço do jeito que estou.

Sempre gostei muito de dicionários, não é a toa que criei esse blog inspirado na minha paixão por eles. Quis criar o MEU dicionário com as minhas definições porque nossas palavras são decodificadas pelos olhos e boca fala do chão que pisa - é bem subjetivo mesmo.

Antes de nascer esse diário de grifos como um novo conceito de dicionário ( ha ha ha, eu artista), eu tinha o costume de enviar sms para certos amigos com conceitos bem contextualizados. Eu pegava uma palavra chave e dava o significado dela conforme o contexto em que a palavra se encaixava na minha relação com aquela pessoa. E deu certo, consegui risos e suspiros.

Minha relação com a definição das coisas é bem bacana, embora existam alguns paradoxos sobre os quais falarei aqui nesse post. Tenho uma lista de coisas que não consigo definir. Essas "coisas" geralmente tem uma definição rapidamente difundida por todos de forma que é bastante modificada todos os dias. Eu inclusive sou a favor do tombamento de determinados conceitos, um museu para todas as palavras, um lugar escondido para o significado delas, uma ordem maior de respeito a ideia central.

Mas essa ideia minha não passa do fruto da cabeça de uma pessoa com medos.

Não sei que tipo de arte meu inconsciente faz, mas eu não consigo conceber plena e suficientemente o que são determinadas coisas. Tudo que consigo fazer é senti-las, como alguém que nunca sentiu antes toda vez que elas resolvem aparecer. O fato de essas coisas serem normalmente tidas como sentimentos, não me ajuda muito, pelo contrário, me confunde. Que tipo de coisa/sentimento é a saudade, por exemplo? É representada por um nome que só existe na língua portuguesa, uma etimologia discutida sem consenso. Uma amálgama de sentimentos?

Amor é outra palavra que rouba as minhas horas tardes afora.

Finalmente, talvez não seja um problema de dicionário, seja um problema de auto definição. Ou talvez seja um problema de dicionário, talvez as coisas não são como eles dizem, talvez todas as pessoas devessem criar seus dicionários e carregá-los dentro do peito, o mais perto possível de suas experiências pra antes de dizê-las, senti-las. Falamos muito e sentimos pouco. Fazemos muito barulho e não há espaço para o sentimento das definições. Há uma necessidade exacerbada de preencher espaços com definições, com certezas, que no final das contas acabam sendo incertas.

Para dar fim ao meu discurso, trago uma frase do livro O Banquete, de Platão, que expressaria o que deveríamos sentir depois de ouvirmos o silêncio das definições:

"Como, ó homem feliz, como não me sentiria inibido e embaraçado, eu, ou qualquer outro que tivesse que falar depois de um discurso tão elegante e tão rico? [...] Reconheço-me completamente incapaz de dizer qualquer coisa que, mesmo de longe, se aproxime de tanta beleza, e já teria desaparecido daqui, envergonhado, se fosse possível."       

Hoje, sem nenhum vocábulo.                                                                                                                       



domingo, 2 de fevereiro de 2014

Antes de voltar pra casa #Grifo6

Maceió, 01 de Fevereiro de 2014

Hora de voltar pra casa. Não sem antes ter uma oração poderosamente respondida e, nesta manhã, dar uma passadinha rápida na emergência de um ambulatório - com uma amiga que passou mal - para aprender mais uma coisa sobre a vida e seu percusso (interceder é preciso).

Antes de voltar pra casa, eu senti saudade do ar de Maceió, que trouxe uma porção renovada de força e fé, muita fé. A grande experiencia do dia foi dar-se conta do retrato completo do que eu fiz aqui, poder olhar pra trás e dizer: "Foi lindo, e continuará sendo". Tive noção do meu espaço dentro de um movimento estudantil completamente corrompido (sim, é isso mesmo!), do meu lugar enquanto educadora e sobretudo enquanto cristã. Sei qual é minha praia, onde piso e onde devo pisar. E além de tudo isso, aprendi a ser amiga de mim mesma, a respeitar meus sentimentos e a ter paz interna.

E como é importante ouvir a Deus! Como é importante calar seu interior e silenciar seu ego. Tenho certeza de que essa foi a lição que mais marcou e sobre a que mais comentei ao longo da viagem. Não achei nada sobre educação no campo, mas achei algo muito melhor sobre educação transcedente, com valores incorruptíveis e eternos.

Volto muito mais mulher, muito mais serena, muito mais Cristo do que eu. 

"Quem tem ouvidos para ouvir, ouça." Mateus 13:9



sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Myself #Grifo5

Maceió, 31 de Janeiro de 2014

O grupo se dividiu para sair e eu quis ficar, sozinha. Ao longo dos registros acho que da para perceber que eu tenho falado muito sobre estar só e autorreflexão. No fim das contas essa viagem toda serviu bem para isso mesmo, fora a parte que acho extremamente necessário o contato com raízes que me remetam a minha natureza enquanto nordestina.

Estive bastante tempo em silêncio total, embora algumas vezes não conseguisse fazer parar o barulho de meus pensamentos. É um exercício difícil. Aproveitei a oportunidade e fui pesquisar sobre oração e achei um excelente vídeo da Neuza Itioka sobre a temática.

Acostumando-me com a saudade por conta da tomada de consciência sobre a importância de me relacionar comigo mesma, escrevi a carta que estava para escrever e fiquei MUITO mais tranquila depois disso. Acho que era uma dor que precisava ser posta pra fora a todo custo. Catarse é super eficiente em momentos como esse, não preciso engolir a seco minha nostalgia.

Esse foi o dia de conversas boas, de bons momentos de mudez. Dia de treinar os ouvidos para ouvir, apenas ouvir o ritmo de Maceió.

"Não há linguagem, não há palavras e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz e as suas palavras, até aos confins do mundo." Salmos 19:3-4

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Surpresas da viagem: saudades e emoções. #Grifo4

Maceió, 30 de Janeiro de 2014

Logo pela manhã me dei de cara com o dia da saudade. Fiquei bem triste ao perceber que eu precisava de um tempo pra mim - que não tinha notado isso depois de longo, longo tempo -  e que vivi olhando para muitos lados procurando por algo desconhecido. Então, pela ordem: primeiro a saudade, depois a necessidade de passar tempo retirada. É um completo paradoxo e por isso assusta. Quem está com saudade e deseja a distância? Eu?

Sau.da.de sf 1. Recordação suave e melancólica de pessoa ausente, local ou coisa distante, que se deseja voltar a ver ou possuir; nostalgia.

- O conceito de saudade não existe em nenhuma outra língua, o que faz de seu conceito algo totalmente útil no que diz respeito à expressão relacionada a melancolia advinda de recordações de algo ausente. -

Depois da surpresinha desencadeadora de crise nostálgica da manhã, todo o significado da viagem foi reconfigurado. O meu olhar mudou para uma nova direção, pois tudo o que eu preciso é me distanciar e observar de longe as coisas. Saí com a cabeça reestruturada, apesar do pesar, e me direcionei a praia de Pajuçara, numa das orlas mais bonitas que já vi. Trouxe um pequeno souvenir, para selar de uma vez por todas o momento da manhã. Lançarei ao seu destino final como um ato de solenidade pelo novo tempo.

Fotografei o nordeste e percebi o quanto sou apaixonada por essa região. Cada quadro, escultura, chaveiro e qualquer outro tipo de manifestação artístico-cultural retratam um amor que nem eu mesma consigo explicar. Na festa de hoje, por exemplo, isso veio à tona. No meio daquela multidão que agitada acomodava-se na arquibancada estava eu imersa em um misto de emoções líquidas que escorriam pela minha face assim que a quadrilha entrou. 

Ao som de uma música lenta, que não consegui identificar qual é, os rostos que entraram no palco eram rostos de pura alegria. Muita cor e brilho enfeitou a noite, mas o mais emocionante foi ver a cultura do Nordeste sendo expressa de um modo tão genuíno. Até que os integrantes da quadrilha começaram a chamar pessoas da arquibancada para dançar... Sim, eu fui chamada.

Ele estendeu a mão para mim e me tirou a dançar. Encabulada, fui tentando lhe explicar que não sabia dançar até que, no meio de minhas vãs explicações eu me perdi e fui parar bem no meio do palco. A música agitada tocou e o ritmo do corpo dele era meu professor. Em fração de segundos, eu estava sendo conduzida pela batida e um sorriso estranho começou a sair de meus lábios. Troca-se de par. Ficaria eu só, no meio do palco? Surpreendentemente não!

Outro me puxou pela mão, e já eu estava no meio do salão varrendo o chão com meu vestido vermelho. Mais uma troca e outro, outro, outro. Terminamos aquela serelepe brincadeira e , tonta, retornei a arquibancada. Oficialmente havia incorporado o Nordeste. E já não era mais a garota, era a nordestina.

Fecha-se a cortina do nordeste e outras batidas entram em cena. Outras que não a de minha casa, outras que não a de meu querido lar.  Sentindo muito pela triste despedida, pensei em voltar para o alojamento. Antes que isso acontecesse, presenciei um fato irrelatável que me colocou, de novo, na frente de uma realidade dura da minha vida. Entristeci-me pelas pessoas envolvidas no caso e já estava eu fazendo uma das coisas que me caracteriza. 

E somente assim serei eu, e somente sendo eu posso fazer alguma coisa.

"Vale mais ter um bom nome do que muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a riqueza e o ouro" Provérbios 22:1
Vale mais ter um bom nome do que muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a riqueza e o ouro.
Provérbios 22:1
Vale mais ter um bom nome do que muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a riqueza e o ouro.
Provérbios 22:1
Vale mais ter um bom nome do que muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a riqueza e o ouro.
Provérbios 22:1
Vale mais ter um bom nome do que muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a riqueza e o ouro.
Provérbios 22:1
Vale mais ter um bom nome do que muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a riqueza e o ouro.
Provérbios