sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Myself #Grifo5

Maceió, 31 de Janeiro de 2014

O grupo se dividiu para sair e eu quis ficar, sozinha. Ao longo dos registros acho que da para perceber que eu tenho falado muito sobre estar só e autorreflexão. No fim das contas essa viagem toda serviu bem para isso mesmo, fora a parte que acho extremamente necessário o contato com raízes que me remetam a minha natureza enquanto nordestina.

Estive bastante tempo em silêncio total, embora algumas vezes não conseguisse fazer parar o barulho de meus pensamentos. É um exercício difícil. Aproveitei a oportunidade e fui pesquisar sobre oração e achei um excelente vídeo da Neuza Itioka sobre a temática.

Acostumando-me com a saudade por conta da tomada de consciência sobre a importância de me relacionar comigo mesma, escrevi a carta que estava para escrever e fiquei MUITO mais tranquila depois disso. Acho que era uma dor que precisava ser posta pra fora a todo custo. Catarse é super eficiente em momentos como esse, não preciso engolir a seco minha nostalgia.

Esse foi o dia de conversas boas, de bons momentos de mudez. Dia de treinar os ouvidos para ouvir, apenas ouvir o ritmo de Maceió.

"Não há linguagem, não há palavras e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz e as suas palavras, até aos confins do mundo." Salmos 19:3-4

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Surpresas da viagem: saudades e emoções. #Grifo4

Maceió, 30 de Janeiro de 2014

Logo pela manhã me dei de cara com o dia da saudade. Fiquei bem triste ao perceber que eu precisava de um tempo pra mim - que não tinha notado isso depois de longo, longo tempo -  e que vivi olhando para muitos lados procurando por algo desconhecido. Então, pela ordem: primeiro a saudade, depois a necessidade de passar tempo retirada. É um completo paradoxo e por isso assusta. Quem está com saudade e deseja a distância? Eu?

Sau.da.de sf 1. Recordação suave e melancólica de pessoa ausente, local ou coisa distante, que se deseja voltar a ver ou possuir; nostalgia.

- O conceito de saudade não existe em nenhuma outra língua, o que faz de seu conceito algo totalmente útil no que diz respeito à expressão relacionada a melancolia advinda de recordações de algo ausente. -

Depois da surpresinha desencadeadora de crise nostálgica da manhã, todo o significado da viagem foi reconfigurado. O meu olhar mudou para uma nova direção, pois tudo o que eu preciso é me distanciar e observar de longe as coisas. Saí com a cabeça reestruturada, apesar do pesar, e me direcionei a praia de Pajuçara, numa das orlas mais bonitas que já vi. Trouxe um pequeno souvenir, para selar de uma vez por todas o momento da manhã. Lançarei ao seu destino final como um ato de solenidade pelo novo tempo.

Fotografei o nordeste e percebi o quanto sou apaixonada por essa região. Cada quadro, escultura, chaveiro e qualquer outro tipo de manifestação artístico-cultural retratam um amor que nem eu mesma consigo explicar. Na festa de hoje, por exemplo, isso veio à tona. No meio daquela multidão que agitada acomodava-se na arquibancada estava eu imersa em um misto de emoções líquidas que escorriam pela minha face assim que a quadrilha entrou. 

Ao som de uma música lenta, que não consegui identificar qual é, os rostos que entraram no palco eram rostos de pura alegria. Muita cor e brilho enfeitou a noite, mas o mais emocionante foi ver a cultura do Nordeste sendo expressa de um modo tão genuíno. Até que os integrantes da quadrilha começaram a chamar pessoas da arquibancada para dançar... Sim, eu fui chamada.

Ele estendeu a mão para mim e me tirou a dançar. Encabulada, fui tentando lhe explicar que não sabia dançar até que, no meio de minhas vãs explicações eu me perdi e fui parar bem no meio do palco. A música agitada tocou e o ritmo do corpo dele era meu professor. Em fração de segundos, eu estava sendo conduzida pela batida e um sorriso estranho começou a sair de meus lábios. Troca-se de par. Ficaria eu só, no meio do palco? Surpreendentemente não!

Outro me puxou pela mão, e já eu estava no meio do salão varrendo o chão com meu vestido vermelho. Mais uma troca e outro, outro, outro. Terminamos aquela serelepe brincadeira e , tonta, retornei a arquibancada. Oficialmente havia incorporado o Nordeste. E já não era mais a garota, era a nordestina.

Fecha-se a cortina do nordeste e outras batidas entram em cena. Outras que não a de minha casa, outras que não a de meu querido lar.  Sentindo muito pela triste despedida, pensei em voltar para o alojamento. Antes que isso acontecesse, presenciei um fato irrelatável que me colocou, de novo, na frente de uma realidade dura da minha vida. Entristeci-me pelas pessoas envolvidas no caso e já estava eu fazendo uma das coisas que me caracteriza. 

E somente assim serei eu, e somente sendo eu posso fazer alguma coisa.

"Vale mais ter um bom nome do que muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a riqueza e o ouro" Provérbios 22:1
Vale mais ter um bom nome do que muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a riqueza e o ouro.
Provérbios 22:1
Vale mais ter um bom nome do que muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a riqueza e o ouro.
Provérbios 22:1
Vale mais ter um bom nome do que muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a riqueza e o ouro.
Provérbios 22:1
Vale mais ter um bom nome do que muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a riqueza e o ouro.
Provérbios 22:1
Vale mais ter um bom nome do que muitas riquezas; e o ser estimado é melhor do que a riqueza e o ouro.
Provérbios

Silêncio e Retiro #Grifo3

Maceió, 29 de Janeiro de 2014

Iríamos passear tranquilamente e apenas passeamos. Desde o amanhecer, depois de não querer ir à festa do dia anterior, não estava com clima de ir a lugar algum. Tenho uma forte tendência de modificar espaços até que eles se tornem minha morada e foi isso que aconteceu entre mim e o canto onde fica a minha cama. Você tem determinado espaço como seu a partir do momento em que você se apropria dele enquanto um ponto de segurança. E eu não queria sair do meu por algum motivo. Contrariada, fui passear.

No meio de toda agitação, o grupo com quem estava acompanhada precisou ser desmembrado e parte dele relocado. Se separar do grupo que você tem como família é chato, mas okay. Fomos até uma Ilha particular que fica aqui em Alagoas, Ilha do Carlito. Muita coisa boa aconteceu lá, mas de todas elas a que merece um olhar foi a minha retirada

Re.ti.rar v.t 1.Tirar para trás ou para si; 2.retrair, recolher.

Como já expliquei, eu tenho uma grande tendência a modificar espaços até que eles se tornem minha morada, seja por um curto ou longo prazo. No caso dos curtos prazos, a única coisa que acontece é apenas a necessidade de me retirar.
Na Ilha do Carlito, todos estavam bem alimentados, com caras de satisfação e sorriso no rosto. Me vi cercada por um silêncio interior e me retirei a estar a sós com meu Pai. Fui até uma rede em um espaço vazio e me silenciei por algum tempo contemplando o céu e experimentando a importancia do tempo com Ele no meio de tanta agitação. O meu grande remédio em tempos de correria é esse, o retiro. E vale muito a pena!

Acredito que esse tempo aqui em Maceió está me fazendo entender a importância de ser uma pessoa contemplativa, de ter uma alma aquietada e sobretudo de saber respeitar momentos de silêncio. Em geral eu costumo oscilar muito entre momentos de falar bastante e de calar...

Mas estou caminhando a passos tranquilos.

E ele disse-lhes: Por que temeis, homens de pouca fé? Então, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande bonança. Mateus 8:26



Primeiros passos e intenções #Grifo2

Maceió, 28 de Janeiro de 2014

No dia 28, já descansada, procurei caminhar pela UFAL e conhecer um pouco a dinâmica do espaço e ele é bastante grande.

Fiquei confortada com o ambiente tranquilo, embora meu interior ainda tivesse agitado. Procurei então algum tipo de conteúdo pra mergulhar e me deparei com processos cognitivos e planejamento educacional num mine curso. Depois de muito falarmos sobre Vygotsky, interacionismo e mediação, percebi que aquele assunto não era novo pra mim, que amo Vykotsky. Poderia agregar ali mais conhecimentos aos que eu já tinha, mas eu queria mais. 

Fui, então, a uma espécie de santuário: a biblioteca. Queria garimpar informações sobre Educação no Campo e estive esperançosa quanto ao fato de estar em um Estado do Nordeste que está imerso em um contexto bem marcante de zona rural... Nada, não achei nada.

Talvez tenha procurado com pressa, ou não tenha sabido procurar, mas a primeira reação foi a de ficar frustrada por começar a perceber que essa temática não é difundida em espaços de militância estudantil e em determinados espaços acadêmicos.

Tudo bem, supera-se.


Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos.
Eclesiastes 9:11
Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos.
Eclesiastes 9:11
Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos.
Eclesiastes 9:11
Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos.
Eclesiastes 9:11
Voltei-me, e vi debaixo do sol que não é dos ligeiros a carreira, nem dos fortes a batalha, nem tampouco dos sábios o pão, nem tampouco dos prudentes as riquezas, nem tampouco dos entendidos o favor, mas que o tempo e a oportunidade ocorrem a todos.
Eclesiastes 9:11

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Da estrada, bagagem e chegada #Grifo1

Maceió, 27 de Janeiro de 2014

Estou em Maceió finalmente, depois de 21 horas de viagem. Essa foi, sem sombra de dúvida, a mais longa e madura viagem que fiz em termos de caminho e tempo. Logo no dia 27 embarquei, mas não cheguei aqui no dia 27. Passei um dia inteiro dentro de um ônibus. A parte ruim foi o enjoou nada legal, mas a parte boa, foi que pude contemplar de modo bem amplo o firmamento.

No meio da estrada, lendo Salmos 19:1, percebi que não entendia o que queria dizer "o firmamento anuncia a obra de suas mãos". Fui, então a gênesis, na criação, e vi o que era firmamento.

Fir.ma.men.to s.m. 1. base, fundamento; 2. a abóbada celeste na qual aparecem as estrelas; 3. céu.

Olhar pro céu e sentir a presença do Pai é maravilhoso! Isso porque o céu é a expressão de uma das mais amplas criação de Deus (Base no Criacionismo). Se essa criação, especificamente, consegue perpassar a infinitude de nossos olhos, quanto mais a glória de seu Criador. Constatações como esta só podem surgir da mente de uma pessoa completamente contemplativa e, literalmente, viajada, como eu.

Quanto a minha bagagem... bem, ela está lotada de saudade. Antes de chegar aqui, tinha um fardo pesado de culpa e tristeza. Nada que algumas preces não resolvessem minha situação: resolvi deixar lágrima por lágrima no meio da estrada, para regar a colheita da minha volta, meu tempo não me permite mais certas bagagens.

Enfim, estou desbravando minha casa.

"Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos" Salmos 19:1
Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
Salmos 19:1
Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
Salmos 19:1
Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
Salmos 19:1
Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
Salmos 19:1
Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
Salmos 19:1
 

sábado, 25 de janeiro de 2014

Às vésperas e descobertas #Grifo0

Falta menos de 24 horas para eu pegar a estrada rumo a Maceió-AL. Tenho um profundo apego com a região nordeste de forma que nunca fiz nenhuma viagem para fora daqui. Apesar de admirar muitas coisas da cultura nordestina, algumas outras coisas me causam profunda tristeza e preocupação (situação socio-econômica da região, por exemplo). Serão 7 dias de viagem e, para cada dia, um relato de viagem em forma de diário - ou grifo, como eu gosto de chamar. O objetivo geral da viagem é um encontro regional com estudantes de pedagogia (ENNOEPe) para discutir sobre educação e sugerir estratégias de atuação para o MEPe (Movimento Estudantil de Pedagogia). Gosto, entretanto, de pensar que cada subjetividade constrói a sua viagem e o objetivo da minha "viagem" é diferente dos outros.

Enquanto uma missionária em potencial e intercessora, tenho ciência das coisas que estão para além do encontro-de-pedagogia. (In)felizmente o que muitas vezes prevalece em movimentos estudantis é o embate político-ideológico de partes que divergem em muitos aspectos, mesmo estando envolvidos na mesma coisa (Isso é geral e não acontece em um local isolado, é fato). Preciso confessar que não sinto um cheiro bom nisso e eu espero, do fundo do meu coração, que seja uma impressão. - É importante frisar aqui que eu NÃO faço parte de nenhum desses grupos e não sou filiada a nada a não ser ao Evangelho de Cristo -.  Apesar disso, a discussão que se fará em torno da profissão do pedagogo muito me interessa (por achar que o sistema tem medo dos professores e por essa profissão -pedagogo- não ser regulamentada [ tramitação da lei ]),  e eu preciso garimpar informações e dados sobre a educação no Campo.

Por essas e outras, meu objetivo se resume em uma só palavra, palavra que representa o que estou fazendo agora, o que farei amanhã, em Maceió, e também o que farei depois de agregar com mais solidez o que extrairei de lá. Palavra que certamente estará no discurso invisível do meu futuro, palavra que já consolidou meu caminho enquanto educadora.

In.ter.ce.der vtd 1.pedir (a favor de algo ou de alguém); 2. intervir ou rogar

"Pensai nas coisas que são de cima"
Colossenses 3:2


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Caminho de flores: relato da transição para um ano sem resoluções

Faz, hoje, 24 dias que viramos a página do calendário de 2013. Foi o tempo que deu pra pegar o fôlego e escrever sobre a virada do ano, sobre os sustos que levei e também sobre as flores que encontrei (e encontrarei) ao longo de 2014. 

Dentro desse período entre um ano e outro, acabei inserida em um amplo espaço de tempo que consegui depois da brusca quebra de ritmo entre a rotina dos dias corriqueiros e as tão esperadas férias. Estive em Porto de Sauípe antes e também depois do natal. Passei a virada do ano como quem não desejava criar expectativas equivocadas porque eu sabia que esse ano será peculiarmente cheio de surpresas e flores. Nunca fui de fazer resoluções e sempre vivi muito bem sem elas, prefiro um passo por vez.
Durante a minha estada em Porto, estive disposta a fotografar flores que porventura encontraria nas estradas que iria caminhar. Encontrei algumas e me surpreendi com a constatação que fiz. 

Flor sf 1. órgão de reprodução das plantas; 2. parte de onde sairá a semente ou o fruto.


Existem flores de todas as espécies. Muitos diriam: "mas flores são coisas boas, são singelas e lindas...", ora existem flores e flores. Grandes pequenas, com espinhos, sem espinhos, feias, bonitas, esquisitas, rústicas, delicadas. Percebi singeleza em cada uma que vi, bem verdade, mas cada flor tinha uma peculiaridade seja na cor, formato, nos elementos que a rodeavam e os lugares onde estavam. Algumas dessas peculiaridades eram não muito agradáveis, como a presença de espinhos ou o fato de estar no meio de um lugar totalmente seco. O engraçado é que essas características sempre indicam algo. No caso da flor no meio do caminho seco, ela era resistente e aguentava ficar bastante dias sem água. Aprendi, não sem dor, que flores são uma lição.

As flores do meu caminho (Foto: Priscila Braga/Arquivo Pessoal)



Passada a tão celebrada virada do ano em Porto, retornei a minha casa e os próximos 7 dias foram revigorantes e fortalecedores. Isso porque os 7 primeiros dias do ano compõem a semana mundial de oração, coisa que faço com certa frequência e que me faz muito bem. Para cada dia dessa semana, era como seu eu percebesse uma flor rara no meu caminho.

Depois desses dias, exatamente no dia 7, o que estava aguardando aconteceu: a primeira surpresa do ano cheio de flores surgiu. Descobri uma  flor grande, rústica, feia e com espinhos no meu caminho. Eu não sei explicar meu sentimento quando a vi, foi um misto de dor regado com lágrimas. Não foi especialmente uma perda, mas foi uma espécie de ganho-mal-dado, uma flor-mal-dada (me recuso a pensar que ela seja, de fato, minha).

 Eu a recebi como se tivessem jogado ela no meio do meu caminho. Foi um susto que dificilmente será superado como "O susto do ano". Aguentei meu susto, recolhi a flor e continuo caminhando com ela no meu bolso, é o meu fardo secreto. Estou aguardando o dia em que a desvendarei para todos os interessados, o dia em que contarei como a encontrei e a entregarei ao seu dono, me livrarei, enfim, dela. Enquanto isso não acontece, me resta caminhar, afinal de contas, hoje só é o 24º de 365 dias caminhando no meu caminho de flores.

"Espera no Senhor, e segue o seu caminho" Salmos 37:34