sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Caminho de flores: relato da transição para um ano sem resoluções

Faz, hoje, 24 dias que viramos a página do calendário de 2013. Foi o tempo que deu pra pegar o fôlego e escrever sobre a virada do ano, sobre os sustos que levei e também sobre as flores que encontrei (e encontrarei) ao longo de 2014. 

Dentro desse período entre um ano e outro, acabei inserida em um amplo espaço de tempo que consegui depois da brusca quebra de ritmo entre a rotina dos dias corriqueiros e as tão esperadas férias. Estive em Porto de Sauípe antes e também depois do natal. Passei a virada do ano como quem não desejava criar expectativas equivocadas porque eu sabia que esse ano será peculiarmente cheio de surpresas e flores. Nunca fui de fazer resoluções e sempre vivi muito bem sem elas, prefiro um passo por vez.
Durante a minha estada em Porto, estive disposta a fotografar flores que porventura encontraria nas estradas que iria caminhar. Encontrei algumas e me surpreendi com a constatação que fiz. 

Flor sf 1. órgão de reprodução das plantas; 2. parte de onde sairá a semente ou o fruto.


Existem flores de todas as espécies. Muitos diriam: "mas flores são coisas boas, são singelas e lindas...", ora existem flores e flores. Grandes pequenas, com espinhos, sem espinhos, feias, bonitas, esquisitas, rústicas, delicadas. Percebi singeleza em cada uma que vi, bem verdade, mas cada flor tinha uma peculiaridade seja na cor, formato, nos elementos que a rodeavam e os lugares onde estavam. Algumas dessas peculiaridades eram não muito agradáveis, como a presença de espinhos ou o fato de estar no meio de um lugar totalmente seco. O engraçado é que essas características sempre indicam algo. No caso da flor no meio do caminho seco, ela era resistente e aguentava ficar bastante dias sem água. Aprendi, não sem dor, que flores são uma lição.

As flores do meu caminho (Foto: Priscila Braga/Arquivo Pessoal)



Passada a tão celebrada virada do ano em Porto, retornei a minha casa e os próximos 7 dias foram revigorantes e fortalecedores. Isso porque os 7 primeiros dias do ano compõem a semana mundial de oração, coisa que faço com certa frequência e que me faz muito bem. Para cada dia dessa semana, era como seu eu percebesse uma flor rara no meu caminho.

Depois desses dias, exatamente no dia 7, o que estava aguardando aconteceu: a primeira surpresa do ano cheio de flores surgiu. Descobri uma  flor grande, rústica, feia e com espinhos no meu caminho. Eu não sei explicar meu sentimento quando a vi, foi um misto de dor regado com lágrimas. Não foi especialmente uma perda, mas foi uma espécie de ganho-mal-dado, uma flor-mal-dada (me recuso a pensar que ela seja, de fato, minha).

 Eu a recebi como se tivessem jogado ela no meio do meu caminho. Foi um susto que dificilmente será superado como "O susto do ano". Aguentei meu susto, recolhi a flor e continuo caminhando com ela no meu bolso, é o meu fardo secreto. Estou aguardando o dia em que a desvendarei para todos os interessados, o dia em que contarei como a encontrei e a entregarei ao seu dono, me livrarei, enfim, dela. Enquanto isso não acontece, me resta caminhar, afinal de contas, hoje só é o 24º de 365 dias caminhando no meu caminho de flores.

"Espera no Senhor, e segue o seu caminho" Salmos 37:34

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